A Zipper marca presença na 21ª edição da SP–Arte com uma proposta inédita na história de participações da galeria no evento: dois estandes no Pavilhão da Bienal, sendo um deles dedicado ao mercado secundário. De 2 a 6 de abril de 2025, a feira, que é uma das mais relevantes da América Latina, reúne cerca de 200 expositores, entre galerias de arte, estúdios de design, instituições culturais e editoras.
No primeiro andar, no estande C8, a galeria apresenta obras de diferentes momentos da arte brasileira, provenientes de acervos e coleções privadas. Já no segundo andar, no estande F9, o foco recai sobre produções recentes dos artistas representados pela galeria.
Conheça um pouco mais sobre sete das obras apresentadas no novo estande de mercado secundário da Zipper.
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Rigor formal, composições racionais e contrastes cromáticos são algumas das características que marcam a pesquisa de Geraldo de Barros (1923-1998), um dos maiores nomes da Arte Concreta no Brasil, que participou ativamente do Grupo Ruptura, que defendia uma arte geométrica e objetiva. Nesta obra de 1990, o artista faz uso da repetição de quadrados concêntricos para criar um jogo óptico. Apesar da obra dispensar a distinção entre figura e fundo, o contraste entre os tons escuros e a progressão dos quadrados em direção ao centro gera uma ilusão de profundidade e movimento, se aproximando visualmente de pesquisas do movimento estadunidense de Op Art.

Tendo sido um dos destaques da programação anual no MASP em 2024, com uma grande e elogiosa individual no segundo semestre do museu paulista, Leonilson (1957-1993) foi um artista que soube fazer da sua sensibilidade particular um espelho coletivo para tratar de questões existencialistas.
A pintura “Dois Jovens Com a Cabeça Fora da Terra” foi elaborada em um momento em que Leonilson esteve fortemente associado à chamada Geração 80, um grupo que buscava renovar a cena artística nacional após o período de repressão da ditadura militar, propondo uma linguagem mais livre e subjetiva, principalmente para a pintura. Nesse sentido, a ideia de “cabeça fora da Terra” pode ser interpretada sob a perspectiva de deslocamento, da busca por algo além do mundo material ou como uma alusão à alienação – temas frequentemente tratados no corpo de obra do artista.
As 35 perfurações circulares que atravessam a tela são distribuídas pelo fundo da composição e tem suas circunferências evidenciadas por pinceladas mais claras. O recurso expressivo adiciona fisicalidade à pintura – podendo, inclusive, abraçar novas cores e elementos à composição dependendo da parede sobre a qual é exposta – e pode representar estrelas e outros corpos celestes.
Em 2023, a obra integrou a exposição “Leonilson e a Geração 80” na Pinakotheke Cultural, no Rio de Janeiro, que homenageou os 30 anos de falecimento do artista, com 35 obras emblemáticas de Leonilson.

Mira Schendel (1919-1988) teve pouco a pouco seu conhecimento consolidado como um dos grandes nomes da arte moderna brasileira, tendo sua obra recentemente prestigiada na exposição individual “Esperar que a letra se forme”, exibida no Instituto Tomie Ohtake até fevereiro deste ano. A artista suíça, de família judaica, que radicou-se no Brasil na década de 1950 para fugir da perseguição antissemita, desenvolveu aqui uma produção artística que dialogava com a Poesia Concreta e diversas vertentes experimentais das décadas de 1960 e 1970, pautando questões relacionadas à linguagem, materialidade e espiritualidade.
Esta obra de 1983 pertence ao final da carreira de Schendel, quando ela aprofundou suas investigações em torno da abstração geométrica e minimalista, privilegiando a exploração da superfície pictórica e das qualidades táteis dos materiais. Aqui, a têmpera, com sua opacidade, contrapõe o brilho das folhas de ouro aplicadas nos cantos.
Os triângulos dourados nas extremidades – semelhantes a paspatur – sugerem um enquadramento dentro da própria obra, dando destaque para uma área específica da composição. Por outro lado, um retângulo à direita escapa e se estende para além da delimitação colocada – o que nos insinua uma reflexão sobre limites, fronteiras, o que é centro e o que é margem.

“Homenagem a Fontana” é uma obra de grande significado para a Zipper, uma vez que esta inspirou o nome da galeria pela sua materialidade. A peça, como o título indica, é uma homenagem de Nelson Leirner (1932-2020) ao artista argentino Lucio Fontana (1899-1968), conhecido por suas telas rasgadas e por fundar o Espacialismo.
A obra foi criada como parte de uma série de múltiplos, composta por três versões, e foi premiada na Bienal de Tóquio de 1967. Originalmente, ela era aberta à interação do público e, ao ter seus zíperes abertos, revelava mais camadas internas com diferentes cores e outros zíperes. O caráter lúdico e participativo envolvia o espectador em seu processo de contínua descoberta e transformação da peça.

Criada em 2008 pela dupla de irmãos Otavio e Gustavo Pandolfo (1974), conhecida como OSGEMEOS, “Atomic Love” é uma pintura feita a partir do uso de algumas materialidades e técnicas usuais do graffitigrafitti, como o spray. A composição é densamente preenchida e apresenta figuras humanas estilizadas, típicas do tratamento visual da dupla, com corpos alongados, cabeças ovais amarelas e roupas de estampas detalhadas em cores brilhantes. Aqui estão presentes figuras antropomórficas, combinações improváveis entre seres humanos, animais e objetos. O fundo é composto por feixes radiais coloridos que partem de um ponto central atrás de uma figura feminina. Esses elementos em conjunto formam estética onírica e fantástica, quase psicodélica, que caracteriza o estilo inconfundível que fez os artistas dominarem a cena artística pelo mundo.

O venezuelano Carlos Cruz-Diez (1923–2019) desenvolveu ao longo de sua carreira uma pesquisa vanguardista no campo da arte cinética e óptica ao investigar intensamente as possibilidades da cor e das formas geométricas. Ele se debruçou sobre as ideias de “cor em situação”, que se refere à ideia de que a cor não é uma propriedade fixa de um objeto, mas um evento que ocorre na percepção do observador, em função da luz, do movimento e do contexto espacial.
A obra “Physichromie” (1755/2012), composta por frisos coloridos dispostos em sequência rítmica regular, se revela plenamente apenas através do movimento do espectador ao seu redor, podendo ser percebida em três diferentes versões: em tons de marrom e ocre, se vista de frente; azul e laranja, se vista à direita; e em roxo, azul e verde, se observada pela esquerda.

De longe, uma obra de questões pictóricas, com jogo de sombras e texturas. De perto, 3136 peças de dominó, ordenadas e agrupadas por suas numerações. A obra “Superfície Ondulada II” de José Patrício (1960), artista recifense conhecido por usar centenas de objetos cotidianos em composições geométricas que exploram ritmo e variações tonais, exemplifica sua pesquisa plástica de efeitos ópticos. Influenciado por movimentos como a abstração geométrica e o Concretismo, José Patrício explora com rigor e inventividade o potencial expressivo de estruturas matemáticas, a fim de compreender suas dimensões expressivas e poéticas.
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