Enquanto os bloquinhos tomavam as ruas brasileiras, algumas notícias do circuito internacional de arte podem ter passado despercebidas durante o mês carnavalesco. Por isso, separamos alguns destaques para você poder se atualizar.
A começar por duas grandes descobertas que provaram que os clássicos da história da arte ainda guardam surpresas: uma escultura de Camille Claudel ressurgiu após um século; e a Grande Muralha da China, após uma nova pesquisa arqueológica, foi revelada como 300 anos mais antiga. Entre os debates políticos e éticos, estão a Austrália, que revogou a decisão de Khaled Sabsabi como seu representante na Bienal de Veneza de 2026, e o movimento em Nova York contra contra um leilão de obras geradas por inteligência artificial, que aqueceu as discussões sobre autoria. O caso do galerista estadunidense Brent Sikkema, assassinado no Brasil no ano passado, também ganhou um novo capítulo com a prisão de seu ex-marido, acusado de envolvimento em sua morte. Já entre as boas notícias está Jessica Costa, que levou o trabalho têxtil nacional a um dos prêmios mais prestigiados do mundo.
Atualize-se a seguir com seis notícias deste mês.
Conteúdo do artigo:
Artistas pedem à Christie's que cancelem leilão de arte com inteligência artificial
Ex-marido de galerista estadunidense assassinado no Brasil é preso
Novas pesquisas revelam que a Grande Muralha da China é mais antiga do que se pensava
Austrália retira Khaled Sabsabi como representante na Bienal de Veneza de 2026
Escultura de Camille Claudel ressurgida após um século é vendida por mais de 3,6 milhões de euros
Quase 4.000 pessoas, incluindo artistas e profissionais da arte, participaram de uma carta aberta solicitando que a casa de leilões Christie's, em Nova York, cancelasse um leilão dedicado exclusivamente à arte criada com inteligência artificial. Os signatários argumentam que muitas dessas obras digitais foram treinadas a partir de criações de artistas sem os devidos consentimentos – o que levanta debates éticos e jurídicos sobre a autoria destas peças –, enquanto os apoiadores defendem que a arte sempre se inspirou em influências anteriores.
A petição é um sintoma da crescente adaptação da comunidade artística à rápida expansão da IA generativa, num momento em que museus e casas de leilão tentam definir sua posição nesse novo cenário. A Christie's, que já havia leiloado uma obra gerada por IA em 2018, ainda não se pronunciou sobre o caso e o evento aconteceu normalmente de 20 de fevereiro a 5 de março.
Jessica Costa, representada pela Zipper Galeria, está entre os 30 finalistas do Loewe Foundation Craft Prize 2025, um prêmio instituído em 2016 na Espanha, que busca reconhecer a inovação em produções artesanais. A artista é a única brasileira da lista, que avaliou mais de 4.600 candidatos de mais de 100 países.
Os finalistas terão suas obras expostas no Museo Nacional Thyssen-Bornemisza, em Madri, entre os dias 30 de maio e 29 de junho de 2025. O vencedor, selecionado por um júri de 13 pessoas composto por profissionais reconhecidos do design, arquitetura, jornalismo e curadoria, será anunciado no dia 29 de maio e receberá o prêmio de US$ 52.000.
Em tempo: na próxima edição da SP-Arte, que acontece de 2 a 6 de abril de 2025, a Zipper Galeria apresentará uma obra inédita de Jessica Costa.
Pouco mais de um ano após a morte do galerista estadunidense Brent Sikkema no Rio de Janeiro, seu ex-marido, Scott Jefferson Weaver, foi preso sob acusação de ser o mandante do crime. O caso chocou a comunidade artística no mundo inteiro, afinal Sikkema era uma figura influente no mercado de arte global, inclusive no Brasil.
De acordo com as investigações, o suspeito teria encomendado o assassinato movido por disputas financeiras e questões pessoais do casal. Depois do fim das investigações da Polícia Civil do Rio, o caso passou a ser investigado pela polícia dos Estados Unidos e pelo FBI. Se Weaver for condenado, pode enfrentar uma pena que varia da prisão perpétua à pena de morte.
Escavações realizadas no distrito de Changqing, na província de Shandong, no leste da China, revelaram ruínas que indicam que a Grande Muralha é 300 anos mais antiga do que se pensava. As seções recém-descobertas datam do final da Dinastia Zhou Ocidental (1046 a.C. - 771 a.C.) e do início do Período da Primavera e Outono (770 a.C. - 476 a.C.), o que posiciona esses trechos como os mais antigos de toda a construção.
Esta foi a primeira investigação proativa da Grande Muralha no estado de Qi e foi conduzida pelo Instituto Provincial de Relíquias Culturais e Arqueologia de Shandong a partir de dezembro de 2024, abrangendo uma área de 1.100m² na vila de Guangli. Além da descoberta da área adicional, o trecho escavado pelos arqueólogos ainda indicou a existência de dois assentamentos perdidos.
A Creative Australia, órgão governamental de artes do país, revogou a nomeação do artista libanês-australiano Khaled Sabsabi e do curador Michael Dagostino como representantes da Austrália Bienal de Veneza de 2026. A decisão ocorreu após um artigo no jornal The Australian e uma discussão parlamentar sobre obras de Sabsabi que utilizaram imagens do líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, e dos ataques de 11 de setembro.
Em resposta, vários funcionários da Creative Australia renunciaram criticando a falta de transparência no processo. O ex-comissário da Bienal de Veneza, Simon Mordant, também deixou seu cargo e retirou apoio financeiro ao pavilhão. Além disso, artistas que já representaram o país nas edições passadas dão apoio à reintegração de Sabsabi e uma petição com mais de 800 assinaturas acusou a Creative Australia de censura.
Criada no final do século XIX, a escultura “A Idade Madura”, da artista francesa Camille Claudel, esteve desaparecida por mais de 100 anos e foi encontrada por acaso, pelo leiloeiro Matthieu Semont, durante um inventário em um apartamento abandonado em Paris.
A obra em bronze, que representa a passagem do tempo, com figuras simbolizando a juventude, a maturidade e a velhice, foi leiloada por €3,6 milhões, superando a estimativa inicial de €1,5-2 milhões e tornando-se uma das três mais caras da artista. Outras três edições dessa peça estão no Musée d'Orsay, no Musée Rodin e no Musée Camille Claudel.
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