O artista escocês cria obras opticamente deslumbrantes utilizando um processo que inclui a aplicação de camadas finas e translúcidas de tinta sobre linho exposto. Para Mullen, a técnica é central para o seu conceito. Precisas e angulosas, estas obras geométricas de difícil execução são obtidas através de um processo exigente e minucioso de medir e gravar as suas telas. Os trabalhos são nutridos pelos gestos e técnicas pelos quais o artista é reconhecido, como os jogos geométricos que causam ilusão de ótica, a presença de luz e a utilização de uma perspectiva espacial.
Se, em séries anteriores, Mullen enfatizou o seu interesse no método fenomenológico, ou seja, em criar espaços fora de alcance ou para além de nossa percepção, em “Interações” o artista busca as interferências espaço-temporais ocasionadas pelo contato de sequências de planos cromáticos distintos. Mais do que a interação e a alteração de frequências de luz, o artista proporciona uma verdadeira reflexão o diálogo e o relacionamento no campo pictórico.
A mostra “Dentro do (in) visível” fica em cartaz até o dia 14 de janeiro de 2023.
Sobre o artista
Daniel Mullen nasceu em 1985, em Glasgow, na Escócia, e vive e trabalha em Rotterdam. O pintor abstrato formou-se em 2011 na Gerrit Rietveld Academy, na Holanda. Entre as exposições nacionais e internacionais das quais participou estão as individuais "Ephemeral Fields”, na Galeria Kogan Amaro (Zurich, 2021); “In a Realm of Luminescence”, na Elan Fine Art (Vancouver, 2019) e “Shifting Perceptions” no Marian Cramer Projects (Amsterdam, 2019); e as coletivas "The Royal Prize for Painting", no Palais Amsterdam (Amsterdam, 2014) e "Ostrale Bienniale 019" (Desdren, Alemanha, 2019). O artista foi recipiente do prêmio Summer show Nieuw Dakota and Francis Boeske Projects, em 2017, e seu trabalho integra importantes coleções como FAMA Museu, em Itu, São Paulo, Akzo Noble, na Holanda, Hughes Hubbard And Reed Llp, em Miami e Edison Investment Research, em Londres.
Sobre a curadora
Ana Carolina Ralston é curadora de arte e jornalista cultural. Organiza e realiza textos e projetos para galerias e instituições, entre elas a Biblioteca Mário de Andrade, o Centro Cultural Correios e a Praça das Artes. Este ano curou, entre outras exposições, a coletiva Arte e Natureza: ressignificar para viver, em cartaz no Pavilhão da Bienal durante a SP-Arte. Foi curadora adjunta do museu FAMA, em Itu/SP, entre 2018 e 2020, onde assinou exposições de Louise Bourgeois, Arthur Bispo do Rosário entre outras. Também foi diretora artística da Galeria Kogan Amaro, com unidades em São Paulo e Zurique, onde apresentou dezenas de exposições, além de criar o núcleo de jovens artistas. Como jornalista, assina hoje como redatora-chefe da revista mensal do jornal O Estado de S. Paulo, sobre moda e cultura. Já foi editora sênior de cultura e lifestyle da Vogue Brasil, entre 2013 e 2018, e diretora da Harper’s Bazaar Art, em 2019.É mestra em jornalismo cultural pela Columbia New York University na Espanha e pós-graduada em arte, crítica e curadoria na PUC-SP. Atualmente, dedica-se a pesquisa sobre arte natureza e o universo ambiental.
















